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sexta-feira, 18 de maio de 2018

As 03 da manhã, seria o horário que são abertos os portões que dividem o nosso mundo e o outro


Imagem relacionada


Existe uma hora que os demônios ficam mais fortes na terra: 3:00 hrs da madrugada.

Em muitos filmes de terror, eles sempre mostram o relógio ás 3:00h, 3h15, etc.

Nesse horário sempre acontece algo sinistro no filme, muitos especialistas de sobrenatural, dizem que esse horário, é a hora que os demônios estão na terra e é nesta hora que as pessoas estão mais acessíveis a sofrerem algo sobrenatural.

Muitos acreditam que é porque as 3 da tarde foi o horário da morte de Jesus Cristo, e esta hora tornou-se a hora simbólica de Jesus. Três da madrugada seria a hora oposta, a hora do Diabo.

Para muitos acordar as 3 da manhã, é sinal de algo ruim. Mas se você escutar algo como 3 batidas, 3 vezes seu nome sussurrando em seu ouvido, ou qualquer coisa múltipla de 3, é melhor tomar cuidado, pois tudo que vem em 3 é para zombar o cristianismo, que é baseado na santíssima trindade: Pai, Filho e o Espírito Santo.

É por volta das 3 da manhã que as pessoas estão mais sensíveis a atividades de espíritos, fazendo com que os demônios tenham mais acesso as pessoas.


FONTE: ahoradomedo

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Desaparecimentos Inexplicáveis - Korrina Lynne Sagers Malinoski e sua filha

Em 21 de novembro de 1987, o proprietário de uma loja Samnerville na Carolina do Sul descobriu que sua funcionária, Korrina Lynne Sagers Malinoski, não ia trabalhar. Como não conseguiu contatá-la, ele foi à sua procura.


No caminho da casa de Korrina, o patrão encontrou seu carro. Estava fechado e estacionado perto da plantação onde o marido da mulher trabalhava. Por via das dúvidas, ele chamou a polícia e relatou o desaparecimento de uma pessoa.

Os policiais descobriram que Korrina foi vista pela última vez quando dirigia na estrada, por volta das 11 da manhã. Os guardas não descobriram mais nada. Nenhum sinal de luta foi encontrado perto do carro, e a busca pela plantação também não deu nenhum resultado.

Não houve mudança no caso até 4 de outubro de 1988, quando outro desaparecimento ocorreu: desta vez da filha de 11 anos do primeiro casamento de Korrina, Annette Deanne Sagers.


A polícia esboçou como Annette deveria estar agora, e fez seu possível retrato atual.

O último a ver a garota foi seu padrasto. Por volta das sete da manhã, ela esperava o ônibus escolar perto da mesma plantação onde sua mãe desapareceu. Quando o motorista chegou para pegar a menina, Annette se foi. Seu padrasto não sabia que sua enteada tinha desaparecido até perceber que ela não havia retornado da escola. Então, foi até o ponto de ônibus, onde encontrou um bilhete com as palavras: “Papai, mamãe voltou, abraço nas crianças”. As “crianças” eram os irmãos da menina.

O exame revelou que o bilhete havia sido escrito por Annette. Até hoje, esse pedaço de papel ainda é a única evidência no caso do desaparecimento. Como resultado, a história gerou muitas lendas: alguns locais assumem que Korrina foi sequestrada por alienígenas e retornou por sua filha, outros acham que Annette foi levada pelo fantasma de sua mãe assassinada.

Os internautas sugerem versões mais pragmáticas. Segundo uma delas, o marido da mulher está envolvido no desaparecimento de Korrina e Annette (mas a polícia não tem nenhuma evidência para provar essa teoria). Segundo outra, Korrina tinha fugido com seu amante e alguns meses depois retornou para buscar sua filha.


FONTE: incrivel.club



terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Pe de Veludo - os milagres do falescido ladrão que roubava dos ricos e dava aos pobres

Todos os anos, no Dia de Finados, um dos locais mais visitados no Cemitério da Saudade, em Marília, é a capela do lendário ladrão Guaraci Marques Pinto, o Pé de Veludo, morto aos 21 anos, em 1964. Ele era tido como um Robin Hood, que roubava dos ricos para dar aos pobres. Ganhou fama de milagreiro e seu túmulo passou a receber placas por ações de graças. Conheça a história da idosa que construiu a capela para Pé de Veludo.
Na noite dia 11 de novembro de 2011, a aposentada Terezinha Maria de Jesus, então com 83 anos de idade, morreu durante um assalto a casa dela, no Bairro Castelo Branco, na Zona Norte de Marília, Um bandido invadiu a casa dela. Apresentando alguns hematomas nos braços e no rosto, de bruços e com a cabeça coberta por um pano, ela foi encontrada por familiares morta trancada numa edícula nos fundos da casa. A suspeita é que ela tenha sofrido um infarto fulminante ao sofrer o ataque. 
O ladrão levou R$ 350 em dinheiro e cartões de bancos de dona Terezinha. Um borracheiro que já havia pedido dinheiro para familiares dela, foi investigado e apontado pela polícia como autor do crime. Dona Terezinha deixou, além do marido,  três filhas, quatro netos e um bisneto. 
Dona Terezinha foi tema de uma reportagem publicada pelo Jornal do Povo (Edição 227, em outubro de 2009) relacionada ao lendário ladrão Guaraci Marques Pinto, o Pé-de-Veludo, tido como milagreiro.
JP acompanhou dona Terezinha durante limpeza na capela do bandido, no Cemitério da Saudade. Foi ela que, em meados de 1979, mandou construir a capela sobre o túmulo do Pé-de-Veludo. “Fiz isso por uma ação de graças após ter conseguido fazer o casamento da minha filha”, explicou ela na reportagem. “Eu não tinha dinheiro, pedi em reza para o Guaraci e consegui tudo, um belo vestido de noiva e até uma vaca para o churrasco”. Contou que naquela época, após a festa, quando foi mexer numa gaveta, ao desenrolar uma toalha de mesa, encontrou quase a mesma quantia que gastou na festa. Ela chegou em Marília com o marido, ferroviário, por volta de 1970.
“Aí fiquei sabendo da história do Guaraci, que era uma boa pessoa e ajudava os pobres”. Ela contou que certa feita uma vizinha sua foi à capela e quebrou tudo. “Mandei fazer um retrato colorido do Guaraci e arrumei tudo de novo”. Dona Terezinha tinha as chaves da capela e dizia que sempre iria cuidar da mesma, que pagou para construir. Às vésperas do Finados de 2010, ela disse ao JP que tinha ficado doente nos últimos meses e por isso não tinha ido ao cemitério. “Juntou muita sujeira na capela e agora vim limpar para o Finados”, explicou. 

Pé de Veludo - O ladrão Santo


Ainda eram 8h10 daquele dia griséu e o cemitério era um corpo só, uma massa de gente zanzando com lentidão, vagueando com olhos plácidos os túmulos dos queridos entes. Mal se caminhava naquelas alamedas cheias de pessoas – 120 mil falecidas e 110 mil vivas até o fim do dia –, de nomes desconhecidos, de retratos desbotados, de cruzes lascadas, de flores frescas pisoteadas, de sepulturas azulejadas em tons mais ou menos austeros. Eu estava ali naquele Finados para conhecer um santo.

Sob um céu amantado e uma terra populosa a contemplar seus mortos, o aposentado Valdelício Beneti encontrou o sepulcro de seu amigo da juventude. Quadra 51 do Cemitério da Saudade, em Marília. Nesse Dia dos Mortos, havia mais flores que nos anos anteriores – o amigo de Seu Valdelício é pop. E um homem santo. As duas placas anônimas de gratidão por milagres ainda jaziam lá na parede da capela, bem como a inscrição
Um grupo de aproximadamente dez pessoas ladeava o humilde jazigo castigado pelo tempo. Com exceção da quantidade de flores, estava tudo igual aos olhos visivelmente fatigados do sexagenário Valdelício. Por mais que as visitas se repetissem todo ano, para o aposentado sempre era uma emoção ímpar estar na capela de Guaracy, em vida ladrão e, agora, espírito divino.

O ladrão

Guaracy ganhou as páginas policiais do antigo Jornal do Comércio pela primeira vez em 1962, antes de completar a maioridade. A ele, foram atribuídos 36 roubos – todos cometidos no período de 15 dias. Alcunhado de Pé de Veludo graças à sua destreza em entrar nas residências mais ricas sem despertar os moradores, Guaracy, por vezes, invadia e furtava mesmo que a família estivesse em casa, acordada. Nunca as vítimas se apercebiam da ação por causa da leveza dos passos do ladrão. A audácia era tamanha que, por vezes, no meio do roubo, o jovem bandido tirava uns minutos para fazer um lanchinho, ou mesmo ir ao banheiro.
Também não raros eram os bilhetes que Pé de Veludo deixava para as vítimas. Uns, provocadores; outros, galanteadores. Isabel Cristina Pereira, estudiosa do Pé de Veludo, levantou alguns recados deixados por Guaracy: segundo ele, uma tal Shirley “tinha pernas bonitas”; já a comida da casa da Cida “estava uma delícia”, bilhete postado ao lado do liquidificador usado para uma vitamina durante o furto; um marido “deveria cobrir a mulher para ela não ficar mostrando esse bundão”.

O Santo

O que espanta e até mesmo comove, porém, é a caridade do gatuno. Ao fim do expediente de crimes, partilhava o que conseguia com os menos afortunados de seu bairro. Comprava mantimentos para as famílias pobres, pagava refrigerante aos moleques da rua, distribuía álbuns e figurinhas aos alunos da Escola Estadual Gabriel Monteiro. O ladrão mudou a vida, por exemplo, de Edson.
Aos cinco anos, Edson não pensava em ser o funileiro que hoje é. As coisas mudaram, exceto uma: a vida difícil. Naquela época, um dia, ele caminhava com a mãe pela rua Amazonas. Ambos estavam com fome e não havia alimento em casa. O menino não hesitou quando cruzou com Guaracy na rua. “Moço, me dá um pão”, pediu Edson, sem prever que aquilo lhe renderia uns beliscões da mãe, mulher desconfiada daquele que todos diziam ser bandido. Ao pedido, Guaracy fez mais: levou mãe e criança a um bar e comprou alguns mantimentos para a família.

O matador que morreu

Wilson Mattos, um dos mais famosos radialistas de Marília, foi o único que cobriu ao vivo a morte de Guaracy Marques Pinto. Na época, ele era repórter policial da Rádio Clube em tempos em que que jornalista gastava sola de sapato para apurar um fato. Fazia o giro pelas delegacias quando soube que “o delegado foi à casa do Pé de Veludo e morreu baleado”. Isso resume todo o bangue-bangue que alvoroçou Marília e acabou com a vida de policiais e de Guaracy.
Depois de ser acusado de corrupção de menores – afinal, dar goró a menores é crime – e com um passado de meliante nas costas, Guaracy ficou novamente no radar da polícia. Um novo delegado adjunto lotado em Marília, de nome Ewerton Fleury Curado, ouviu falar deste tal Pé de Veludo. Intimou-o, mas Guaracy negou-se a comparecer à delegacia. Dr. Ewerton decidiu ir à casa de Guaracy. Lá, fez uma revista. E encontrou um arsenal.
Dois tiros. Alcyr, irmão de Guaracy que estava em casa com outros dos seus, ao ver que o delegado havia descoberto onde os revólveres e as garruchas estavam malocadas, não hesitou e disparou duas vezes. Dr. Ewerton foi atingido no coração e na cabeça, mas viria a morrer apenas no hospital. O ordenança também foi atingido.
Todos fugiram. Fez-se breve paz em que dois corpos sangravam à morte iminente. Foram socorridos e levados ao hospital. Então, toda a força policial soube do ocorrido. Seguiram à casa de Joscelino.
Guaracy não estava presente no tiroteio. Chegou de ônibus logo em seguida e nada viu.
Pouco tempo depois, um batalhão estava em frente da casa dos Marques Pinto. Guaracy não se entregaria com vida.
Todos os depoimentos são unânimes: Guaracy era o único dentro de casa, mas ziguezagueava os cômodos e disparava com veemência. Com vontade. Com cólera. Era um exército do lado de fora contra um único homem do lado de dentro da casa, mas parecia o oposto. O bangue-bangue durou das 15 horas às 18h30, e nenhuma das forças ficou sem munição, tamanho era o arsenal dos Marques Pinto.
Depois de mais de três horas de zunidos de dentro para fora da casa e vice-versa, a polícia não via modos de dar fim ao tiroteio, de capturar Pé de Veludo vivo ou morto. Hoje não se sabe quem, mas um dos policiais teve a brilhante ideia de equipar um carro com uma placa de aço para se aproximar da residência. Um escudo móvel que, por fim, possibilitou que a força militar adentrasse no terreno. Chegando lá, outra ideia espetacular: por que não jogar uma bomba de cloro dentro da residência para afugentar Guaracy e quem mais houver? Genial!
Fez-se a bomba de cloro com materiais da estação de tratamento do Departamento de Água e Esgoto de Marília, que ficava próximo da casa. Pronta, ela foi atirada dentro do imóvel. Minutos se passaram. Os tiros cessaram. Ninguém saiu.
Guaracy foi encontrado morto. Seu pulmão havia ressecado em virtude do gás cloro. A quantidade utilizada foi tamanha que apenas às 23 horas do dia seguinte o cheiro se dissipou por completo e os peritos puderam trabalhar. “Ele foi exterminado com arma química”, resume Wilson, ainda hoje indignado com o fato de, mesmo sendo proibidas armas do gênero em guerras, ainda assim um exemplar delas foi usado em Marília.
Além de outros cinco policiais, ambos morreram: delegado e bandido. O primeiro, de maneira heroica, em cumprimento do dever cívico; o segundo, de modo desumano, humilhante, “[...] apresentando ferimentos vários, inclusive os produzidos por armas de fogo, o jovem delinquente jazia estirado sobre os umbrais de uma porta, na posição de quem tentasse, do quarto, atingir a sala que dava para o alpendre”, segundo o jornal. Uma morte destinada apenas aos mártires, quiçá.
A mortalha continuou pelos dias que se seguiram àquele fatídico 9 de dezembro de 1964. Dois irmãos de Guaracy foram encontrados mortos em cidades vizinhas, e tais assassinatos nunca foram investigados.

O Abençoado que cura

Hoje, alguns detalhes passam despercebidos pela memória de Wilson. De fato, há pouco interesse no tiroteio. O mesmo não se diz dos desdobramentos originados por ele. Assassinado pela polícia em 1964, Guaracy tomou status de mártir. Para a beatificação a boca popular, falta pouco ou nada. Mesmo do outro mundo, Pé de Veludo apronta das suas peripécias. Valdelício, assim como outros marilienses, diz ter sido milagrosamente curado pelo ladrão. Ou melhor, por seu espírito quase santo.
No começo da década de 1970, o aposentado teve um problema no fígado. Os médicos não conseguiam curar. “Pedi ao espírito de Guaracy e fui atendido.” Fazem coro à crença de Seu Valdelício os antigos moradores do bairro, testemunhas da boa alma do gatuno. A parte que coube ao aposentado, porém, dinheiro nenhum paga. Seu Valdelício sabe disso e traduz sua gratidão no choro escondido por olhos amiudados pela idade. Sempre que o aposentado visita Guaracy no Finados, esbarra em curiosos e outros ditos agraciados, em acadêmicos que pesquisam a vida do ladrãoe repórteres. Neste ano, até o meio-dia, cerca de 250 pessoas passaram pela última morada daquele que, em vida, já foi o terror das moradas mais altivas da cidade. Muitas pessoas acendem velas, e o calor próximo ao sepulcro contrasta com o clima ameno daquela manhã.
Postada em meio à quentura, está Vanda Lúcia Beneti, esposa de Seu Valdelício. Ela não conheceu Pé de Veludo pessoalmente, mas garante: se um dia seu marido não puder visitar o amigo, ela vai sozinha prestar homenagem ao gatuno. Por respeito e gratidão aos feitos miraculosos daquele santo ladrão após sua morte, Vanda visitará o desconhecido e lhe acenderá uma vela. Lamenta apenas os filhos não terem esse mesmo gesto.
Um homem calvo, de camisa polo em tom rosa enfiada na bermuda branca, para em frente à capela. Fixa seus olhos na porta transparente – sempre trancada –, e tenta enxergar o interior. De maneira furtiva, leva a mão à testa e encosta o rosto no vidro para melhor reverenciar o retrato do ladrão. Lá dentro jaz uma fotografia antiga, visivelmente restaurada em cores, e lembra decerto algumas obras de pop art. Sim, o santo é pop. O professor Aníbal Guedes Abigail não conheceu Guaracy Marques Pinto como Pé de Veludo. Para os amigos, como o professor, o gatuno era apenas Vivi. Eram amigos e vizinhos.
Enquanto observa a imagem atrás do vidro empoeirado, Aníbal relembra sua infância e a importância daquele ladrão em sua vida. Aos 13, o professor deixou seus amigos graças aos conselhos de Pé de Veludo que, na época, contava 18 anos. “Eu estava saindo com uns bandidinhos da vila e Vivi pediu-me para manter distância daquele pessoal. Nunca mais os vi desde então. Acatei o conselho e cortei relações”, conta Aníbal, que não nega respeito ao nada infame ladrão e afirma: todos no bairro o escutavam. Pé de Veludo – ou Vivi – era estimado por sua inteligência e persuasão pelos moradores de uma das mais pobres regiões de Marília.
Até mesmo Aníbal, amigo íntimo de Pé de Veludo na década de sessenta, impressiona-se com as histórias de benfeitorias post-mortem do ladrão que ouve na rua. “Eu soube de uma menina que, desenganada pelos médicos, pediu a graça da cura e Pé de Veludo concedeu”, relata o professor, que nunca precisou pedir graça alguma para si. Não sabe se a história é verdade, tampouco conhece seus personagens, mas nada disso importa: maior que o homem é o mito.
Aníbal deixa a quadra 51 para, enfim, visitar seus parentes. Não sem antes olhar o aglomerado de gente na capela. Sai satisfeito. Desvia dos corpos – vivos e mortos – e some por entre cruzes, azulejos e flores.


Capela onde se encontra os restos mortais de Pé de Veludo

Texto retirado do jornaldopovomarilia.net escrito pelo jornalista Rodolfo Viana

sábado, 29 de janeiro de 2022

Poltergeist Brasileiro - Poltergeist da Zona Sul de São Paulo em 1996

 Machado e Zangari receberam um chamado de uma jovem mulher (JM) que vivia na Zona Sul da capital paulista. Ela descreveu brevemente eventos que lhe pareciam estranhos e aconteciam com certa freqüência em sua residência há algum tempo. Tratava-se principalmente da quebra de copos e pratos de vidro, do aparecimento e desaparecimento de objetos e da ligação espontânea do rádio-relógio e do aparelho de som. Uma primeira visita foi agendada. Nessa visita, os pesquisadores apresentaram sua forma de trabalho, garantiram o sigilo quanto à identidade das pessoas envolvidas no caso através da assinatura em duas vias de um termo de compromisso, colheram depoimentos sobre as ocorrências e agendaram um novo encontro para dali a dois dias. Na residência, um apartamento de dois quartos, sala, cozinha banheiro e área de serviço, vivia um casal sem filhos: JM, a esposa com 36 anos de idade, e LK, o marido com 53 anos de idade. As ocorrências começaram com fortes estalidos que o casal ouvia, vindos da cozinha enquanto ambos assistiam à TV.

Na cozinha, aparentemente nada de estranho havia ocorrido, mas depois verificaram que o copo usado por LK para tomar sua habitual dose de uísque antes do jantar estava em pé em cima da pia, mas quando tocado, partia-se. O fundo saia, como se tivesse sido cortado com diamante. Isto aconteceu por várias vezes, sempre com o copo utilizado por LK. Por duas vezes, em madrugadas de terça para quarta-feira, às três horas da manhã, o casal foi acordado na primeira vez pelo rádio-relógio do quarto que ligou-se sozinho e, na segunda vez, pelo aparelho de som da sala - “xodó” de LK - que ligou-se sozinho no último volume. Vale dizer que o rádio relógio fica no criado mudo do lado em que LK dorme. Uma fronha amarela, com velcro, típica de travesseiro de criança apareceu, segundo o casal, misteriosamente no quarto deles. Um conjunto de vasos de violetas preso a um suporte único que ficava no banheiro desprendeu-se misteriosamente, sem romper as correntes e sem danificar o suporte preso à parede, indo espatifar-se no chão.

Nenhuma janela estava, então aberta; não havia correntes de ar. Um prato, utilizado por LK para jantar e depositado sobre a pia, foi encontrado no dia seguinte: parte em cacos dentro da pia, limitando-se a um dos lados da cuba, e outra parte, meia borda, no chão, virada para baixo, como que cortada com um diamante. Foram realizadas, ao todo, três visitas de cerca de três horas ao local. Essas visitas ocorreram em um intervalo de vinte dias. Desde que os pesquisadores começaram a lidar com o caso, nenhum dos eventos descritos ou qualquer outro do mesmo tipo voltou a acontecer. Depois de longas conversas com o casal acerca de seu relacionamento e de seus hábitos de vida - detalhes que não cabe aqui colocar, não só pelo limite de espaço, mas também pelo sigilo assumido - concluiu-se que JM desejava ardentemente ter um filho e LK, que a princípio resistia a essa idéia, depois passou a não dar importância a ela.

O casal confessou que discutia freqüentemente sobre o assunto e JM colocava no marido a culpa por não conseguir engravidar. Ela, que tentava engravidar há meses e não conseguia, fez uma série de exames e constatou ter perfeitas condições físicas para ser mãe. Pediu ao marido para que fizesse exames para verificar se tinha algum problema. Ele recusava-se a fazê-los. Para JM, uma família só seria completa se composta por pai, mãe e filhos. Ela conserva o segundo quarto da casa decorado como um quarto infantil, cheio de brinquedos e bonecas. Demonstrou ter muito ciúme especialmente de uma boneca, não permitindo nem que a pesquisadora a tocasse. As ocorrências narradas pareciam todas traquinagens de criança. Aparentemente, JM estaria punindo LK por seu desinteresse em ter filhos, quebrando e bulindo com suas coisas. Quando deu-se conta disso, JM ficou estarrecida. Depois de uma breve terapia de casal, LK disse que faria os exames e ambos se comprometeram a realizar exames encefalográficos para serem arquivados junto com os dados colhidos. Foram aplicados testes psicológicos ao casal. Machado e Zangari ainda não receberam os EEGs prometidos. Até onde se tem notícia, os fenômenos cessaram.

FONTE: oarquivo.com.br

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Coisas assustadoras ditas por crianças


Quando ela tinha três anos nós tínhamos um gato que perdeu seus filhotes. Ela me perguntou se a gente poderia fazer cruzes para eles, o que eu fiz. Quando eu estava fazendo ela me perguntou:

Ela: Não estão muito pequenas?
Eu: Como assim?
Ela: Não vamos pregá-las a eles?
Eu: (depois de um momento de silêncio) Não vamos fazer isso.
Ela: Oh.

2.
Eu estava colocando meu filho de dois anos para dormir. Ele disse "Adeus, pai". Eu disse "Não, nós falamos boa noite". Ele disse "Eu sei, mas dessa vez é adeus".

3.
"Vá dormir, não tem nada embaixo da sua cama".
"Ele está atrás de você agora."

4.
Minha filha de 3 anos olhou para o seu irmão recém nascido por um tempo, depois virou e olhou para mim e disse "Papai, é um monstro... Nós devemos enterrar isso."

5.
Eu estava dormindo e em torno de 6 da manhã eu fui acordado pela cara da minha filha de 4 anos a centímetros da minha. Ela olhou nos meus olhos e sussurrou "eu quero arrancar toda a sua pele".

6.
Meu bebê estava numa fase que ele falava constantemente "hi" para as coisas. "hi hi hi hi hi hi hi".
Um dia, começou a se parecer mais com "die die die die die".
Então eu perguntei a ela "o que você está falando?"
Ela virou para mim e falou "Diiiiiiiieeeeeeeeeeeee...."

* Hi = Oi em inglês
* Die = Morra em inglês

7.
A escola católica da minha filha tem mais de 100 anos de idade. Lá tem um porão embaixo do ginásio que é usado como armazém. Um dia eu estava no ginásio e durante o intervalo uma das bolas desceu pela escada. Uma menina estava no topo da escada berrando "joga para mim". Eu fui ver e perguntei com quem ela estava falando e ela me respondeu "com aquele homem grande lá embaixo". Eu desci e não tinha ninguém lá e não tinha outra saída.

Eu perguntei para outras crianças se eles já viram o homem e elas falaram "sim, mas a irmã nos falou para não falar com ele". Eu pedi para descreveram a "irmã" e elas descreveram uma freira.  Não há freiras na escola a 40 anos.

8.
"Mamãe, olha o que eu aprendi!"
insere a língua dentro da boca da mãe durante o beijo de boa noite
"Eu aprendi em um filme! Significa que você ama alguém!"
A mãe calmamente sai sem falar uma palavra e vai para seu quarto.

9.
Eu estava recentemente em um ônibus e nós paramos do lado de fora de uma clínica. Uma menina estava na cadeira na frente da minha e virou para seu pai e falou "A morte é a médica do pobre homem".

10.
Por que você está chorando?
"Homem mal"
Que homem mal?
"Ali". Aponta para o canto escuro do quarto atrás de mim.
O abajur na escrivaninha perto desse canto caiu no chão assim que eu virei para ver.

Minha filha dormiu no meu quarto nessa noite.

11.
"Então não devemos joga-lo no fogo?"
Minha filha de 3 anos segurando seu irmão bebê pela primeira vez.

12.
Ontem meu filho de 3 anos me falou "hoje é o aniversário da [nome da irmã~]!"
Eu entrei em trabalho de parto ontem de noite.

13.
Minha sobrinha estava sentada no sofá com uma expressão estranha. Sua mãe perguntou o que ela estava pensando, e ela respondeu "Eu estou imaginando as ondas de sangue batendo sobre mim".

Acontece que eles tinham ido a um museu local com uma exibição do sistema circulatório. Uma das atrações era uma caminhada sobre uma veia gigante de sangue, e ela lembrou disso.

14.
Não foi para mim, mas para sua avô.

Ele estava abraçado com ela e sendo bem fofo (ele tinha três anos nessa época). Ele pegou o rosto dela com suas mãos, trouxe para perto da dele e falou que ela é muito velha e que vai morrer em breve.
Então ele apontou para o relógio.

15.
Minha filha mais nova (5 anos na época) um dia desenhou um monstro preto, olhou para mim e disse "Ele me disse para desenhar isso. Ele está vindo atrás de você. É melhor você se esconder.)
FONTE: medob

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Lugares mal assombrados - Residencia em Ronda Alta RS


Ronda Alta - RS


Uma situação nada comum vem acontecendo nos últimos dias em uma casa na cidade de Ronda Alta-RS. Objetos pegam fogo sem mais nem menos, outros são transportados de um lugar para outro. Será algo sobrenatural? Será coisa do além? Ou seria mãos criminosas? Mas como? E você? Qual é sua opinião?
De maneira inexplicável coisas mudam de lugar, objetos pegam fogo e família rondaltense vive drama a vários dias.
A pedido de uma vizinha nossa reportagem foi chamada para registrar um fenômeno inexplicável, aos prantos a avó nos recebeu pela manhã, quatro pessoas da mesma família vivem uma verdadeira história de terror, a algum tempo atrás ainda quando moravam no interior na localidade da linha santo Antônio Ronda Alta, a família começou a ter problemas com barulhos inexplicáveis, pedras caindo em cima da casa, barulhos estranhos fora do normal na residência, fortes estalos no imóvel que os perturbavam fatos que começaram a se agravar, até o dia em que a mãe uma senhora viúva veio com seu filho para a cidade para receber a aposentadoria, chegando em casa colocou o dinheiro em cima de um móvel e foi fazer serviço dentro mesmo da residência, ouviu um cheiro de queimado e foi verificar, notou que o dinheiro havia pegado fogo, fato que na ocasião intrigou e os deixou abalados.
Depois de um tempo a família veio morar na cidade e a poucos dias atrás o carro em que mãe e filho viajam do interior para a cidade pegou fogo de forma inesperada no meio do caminho, sem explicação na ocasião nossa reportagem registrou este ocorrido.
Agora de uma semana para cara cá inexplicavelmente o fenômeno se agravou ainda mais, sempre com maior intensidade nos finais de semana foi o que nos relataram, pois além de várias coisas inesperadamente pegarem fogo do nada dentro de casa, onde encontramos todos os colchoes queimados o adolescente da família menor de idade tem sido atacado com palavras escritas no espelho ameaças de morte, manchas de batom escrito na parede, manchas de sangue sem ninguém ter se ferido nas roupas de cama e no lençol em partes relatados em vídeos a nossa reportagem.
Frutas que foram comprados no supermercado ou doados por alguém estavam em um saco plástico que começou queimar, uma bolça de adubo orgânico que estava no porão da casa começou a queimar e o fogo foi apagado em tempo.
Pastores já tiveram no local em oração o padre Célio Zamarqui da paróquia já esteve no local, mas o fenômeno continua, pela manhã a Policia Civil de Ronda Alta esteve no local, e isolou a área até a chegada da perícia técnica. A casa possui seguro mas a família insiste em permanecer pois existe a proximidade com vizinhos e o temor por um possível foco de fogo e existente.
Já hoje pela tarde a família prestaria depoimento sendo ouvida na delegacia. Toda a rotina da família está abalada.
Nossa reportagem não estará revelando nomes para preservar a privacidade da família, orientamos a curiosos amigos e vizinhos para que não se dirijam ao local pois não a explicação para os fatos e as imagens que lá existem são as que retratamos aqui neste post.
Podemos ajudar sim se formarmos um grande grupo de oração nunca visto ainda como este fenômeno.

















FONTE: liberdadetrespalmeiras.blogspot.com.br/2017/03/urgente-objetos-mudam-de-lugar-fogo.html




quarta-feira, 1 de abril de 2020

A Maldição da Peça Escocesa Macbeth

Olá amigos leitores, nossa ideia é fazer postagens pequenas no intuito de que a leitura não se torne cansativa, mas a postagem abaixo é bem interessante.

Bora lá!!!! 

Doenças e atropelamentos marcam a mais recente montagem de Macbeth e reforçam uma crença de 400 anos:encenar a tragédia de Shakespeare sobre o rei da Escócia traz má sorte
Tradutor de William Shakespeare há duas décadas, Marcos Daud já amargou inúmeros problemas na gigantesca tarefa de exprimir em português diálogos e enredos que fi guram entre os mais poéticos e profundos da literatura ocidental. Nunca, porém, encontrara obstáculo tão desafiador como o que Macbeth lhe impôs recentemente. Tinha 25 anos quando enfrentou o bardo pela primeira vez. Escutando os conselhos traiçoeiros da audácia juvenil, rejeitou o caminho relativamente suave das comédias e quis traduzir logo de cara um complexo drama histórico, Ricardo III. Conseguiu, ainda que hoje considere o resultado apenas passável. Depois, se aventurou por outras cinco peças, incluindo Hamlet, que os estudiosos julgam a obra máxima do autor inglês. Em todas as ocasiões, arrancou os cabelos – vastíssimos, aliás – diante de palavras e expressões que saíram de circulação ou que, no tempo do dramaturgo, representavam uma coisa e agora mudaram de significado. Sem mencionar a dificuldade para atravessar rebuscados trechos em versos e convertê-los na prosa fluente que as platéias atuais exigem.
Mesmo assim, nada lhe pareceu pior do que desbravar Macbeth, a sétima de suas traduções.
Supersticioso de carteirinha, não ousava pronunciar nem redigir o título da peça desde que enveredou pelo universo teatral (também é ator). Acredita que o nome dá azar, muito azar, e não está sozinho no barco. Quatro séculos atrás, já se alimentavam inquietações do gênero, que só perduram porque, de fato, acidentes, doenças e outros percalços costumam rondar as montagens. Não à toa, mal se deparou com a oferta para encarar o texto, Marcos estremeceu. O produtor Alexandre Brazil lhe fez o convite. Pretendia encenar o espetáculo em um pequeno e simpático espaço de São Paulo, a Sala Crisantempo, na Vila Madalena, o que realmente aconteceu, entre os dias 12/10 e 25/11.
Por colocar a tragédia no rol das melhores de Shakespeare, Marcos desejava aceitar a missão. Mas como, se temia grafar o perigoso nome – que, para piorar, coincide com o do protagonista? De início, tentou uma alternativa: escrever M. sempre que o substantivo nefasto surgisse. À medida que o trabalho avançava, percebeu o ridículo da situação e decretou: “Ou você pega o touro à unha, ou desiste de tudo”. Foi dificílimo resolver. Depois de várias hesitações, se encheu de coragem e saltou do precipício: abdicou do M. para se curvar à grafia completa. No entanto, manteve a precaução de jamais falar o termo proibido. Até hoje, refere-se à peça somente como “Aquela”, “a Dita Cuja”, “a Inominável”, “a Tragédia da Escócia” ou “a Escocesa”. Chama o protagonista de “o General”.
A tradução consumiu três meses, período em que nada de ruim ocorreu com Marcos. Já o elenco do espetáculo e a equipe de produção não desfrutaram igual sorte…
ATO 1 – O REI QUE GOSTAVA DE DEMONOLOGIAQuando concebeu a Inominável, no biênio de 1605-1606, Shakespeare alinhavava uma outra tragédia: Rei Lear. Era um homem maduro, de 41 anos, que gozava de enorme prestígio em razão de sucessos anteriores, como Romeu e Julieta ou mesmo Hamlet. Tudo indica que escreveu a Dita Cuja por encomenda de Jaime 10, monarca da Inglaterra. O dramaturgo teria recebido a incumbência de resgatar as origens escocesas do soberano. Adaptou, então, a trajetória verídica de M., militar que comandou a Escócia entre 1040 e 1057, depois de matar o rei Duncan, e que acabou assassinado, em nome da justiça, por um filho do governante morto.
Na peça, o General se mostra bem mais cruel que o de carne e osso. Regressando vitorioso de uma batalha, o personagem ouve de três feiticeiras a predição de que, um dia, ocupará o trono escocês. Revela o presságio à esposa, Lady M., que argumenta: se é assim, por que esperar? Por que não usurpar a coroa de imediato? Ainda que vacilante, o General deixa-se levar pela tentação e apunhala Duncan, que admirava. Para garantir-se no poder, pratica novas traições, causa outras mortes e pede mais conselhos às três bruxas.
Fantasmagórica, sangrenta, a tragédia em cinco atos se desenrola principalmente à noite e discorre não apenas sobre ambição, mas também sobre culpa, hipocrisia e degradação moral. O texto, magnífico, já propiciou encenações memoráveis (por aqui, destaca-se a de 1992, sob a batuta de Antunes Filho) e uma trinca de adaptações cinematográficas indispensáveis: as de Orson Welles (1948), Akira Kurosawa (1957) e Roman Polanski (1971). Num dos monólogos mais famosos do script original, o protagonista constata: “A vida não passa de uma sombra que passa. (…) É uma história narrada por um idiota, cheia de fúria e som, que não significa nada”.
Conta-se que, em 1606, o menino que interpretava Lady M. morreu durante uma das primeiras apresentações da peça. À época, as mulheres não podiam trabalhar como atrizes. Por isso, homens jovens ou até crianças assumiam os papéis femininos. Apesar de ninguém saber se houve mesmo o incidente, o boato se espalhou e nutriu a crença de que infortúnios acompanham o espetáculo. Coincidência ou não, ao longo dos séculos, registraram-se inusitados contratempos em diversas montagens.
“A maldição”, explica Marcos Daud, “derivaria do fato de as bruxas exercerem uma função-chave na narrativa.” As criações de Shakespeare costumam abrir espaço para o sobrenatural. Falam de elfos, duendes, fadas e espíritos. Mas somente a Tragédia da Escócia ressalta o “lado negro da força”, a feitiçaria. Segundo certos esotéricos, as mandingas que aparecem na trama se assemelham às de rituais verdadeiros. “O bardo invocou as trevas e as conseqüências vieram…”, conclui o tradutor. Por que as invocou? Provavelmente, para agradar Jaime X – que, embora cristão, se interessava pelo paganismo e publicou um célebre livro sobre demonologia.
Reza a lenda que o melhor jeito de fugir das tais mazelas é nunca montar a Escocesa. Entretanto, consciente de que o mundo está repleto de cabeças-duras, a superstição proclama existir ainda uma saída àqueles que teimam em brincar com fogo: para se proteger, quem fizer a peça não deve enunciar o nome agourento dentro do teatro, à exceção de quando se encontrar no palco. Por via das dúvidas, Marcos se esquiva de dizê-lo em qualquer lugar.
ATO – 2 O CASO DO GATO ATROPELADOOs sobressaltos na temporada da Vila Madalena começaram já durante os ensaios. Primeiro, a diretora Regina Galdino não conseguia definir o ator que iria encarnar o rei Duncan. Quatro intérpretes se comprometeram com o papel, mas o largaram: três por motivos de saúde e o quarto porque decidiu participar de outro projeto. Faltando uma semana para a estréia, Regina – que jamais encenara um Shakespeare – ainda não tinha o monarca. Foi Ariel Moshe, experiente ator e diretor de 51 anos, com 114 peças no currículo, quem a salvou. Decorou os diálogos e esculpiu o personagem em míseros cinco dias. Sentia-se confiante e não ligava para os temores que a tragédia desperta. Logo depois de entrar em cartaz, porém, tomava um café num boteco da avenida Angélica quando um jovem se aproximou e, discretamente, lhe encostou um revólver na barriga: “Fique tranqüilo e passe a grana”. Ariel acabara de sacar R$ 600 em um caixa eletrônico. Entregou cada centavo para o ladrão. Nunca sofrera um assalto antes.
O ator Marcos Suchara, protagonista do espetáculo, se viu igualmente às voltas com um roubo, só que de natureza imaterial. Três mulheres de meia-idade lhe furtaram o sono por três noites consecutivas. O fenômeno se deu na ép
oca dos ensaios. Em pesadelo, as mulheres invadiam o quarto onde ele dormia e o acordavam. Duas o acariciavam e a terceira, que portava uma lâmina curta, arrancava-lhe o dedão do pé esquerdo. Assim que o sangue jorrava, Suchara despertava de verdade. No mesmo período, as atrizes Imara Reis e Silmara Deon – que viviam as Bruxas 1 e 3, respectivamente – lutavam com uma penosa insônia. Atravessavam madrugadas inteiras sem pregar os olhos. Quando muito, adormeciam por um instante e retornavam à vigília, que durou quatro semanas.
Não bastasse, um motoqueiro atropelou Imara 15 dias após a estréia. Às 18 horas de uma segunda-feira, saindo de casa, a atriz precisou cruzar a alameda Campinas, na região da avenida Paulista. Mal encerrava a travessia, a moto a atingiu, de raspão. “Como pratiquei tai chi chuan, tenho reflexos rápidos e caí em câmera lenta, com leveza, sobre a calçada.” Feriu o cotovelo e o joelho esquerdos, que incharam e ainda doem.
Estranhamente, Silmara também se meteu num atropelamento. Depois de ensaiar, pegou carona com a colega Luciana Ramanzini, que fazia a Bruxa 2. Eram 23h. Trafegavam pelo bairro da Pompéia quando um gato malhado, branco e marrom, apareceu do nada. Luciana apertou o freio do Ford Ka, mas não impediu o choque. Desceu do carro trêmula, à procura do felino. “Não o encontrei. Havia apenas tufos de pêlo no asfalto.”
Nem mesmo a assessora de imprensa Adriana Monteiro, responsável por divulgar a peça, se livrou das encrencas. Num sábado à tarde, conversava pelo celular com uma amiga, a atriz Tuna Dwek, e nquanto reformava um móvel de jardim. “Hoje à noite, estava pensando em ver…”, e mencionou o nome da Escocesa. Tuna a repreendeu: “Não fale!”. Quase simultaneamente, Adriana deixou escapar a tesoura que usava na reforma. O utensílio lhe perfurou a mão esquerda. “Levei três pontos.”
De todas as histórias, entretanto, a mais dramática é a de Alexandre Brazil. Em meio à correria dos ensaios, o produtor que teve a idéia de montar o espetáculo identificou um câncer no rim. “Sentia um cansaço grande, um incômodo nas costas, e achei prudente consultar o médico. Como sempre padeci horrores com pedras nos rins, imaginei se tratar de uma nova crise. Era mais grave.” A Inominável estreou numa sexta-feira. No domingo, Alexandre, de 30 anos, enfrentava uma cirurgia. Agora está se recuperando. Diferentemente de Marcos Daud e à semelhança de Regina Galdino, Ariel Moshe, Marcos Suchara, Imara Reis, Silmara Deon, Luciana Ramanzini e Adriana Monteiro, ele nunca evitou pronunciar o título da peça dentro de teatros.
ATO 3 – ….E O TEATRO PEGOU FOGOMas, afinal, o que aconteceu? Existe um elo misterioso entre as intempéries que afetaram a trupe? Paga-se mesmo um preço alto pela ousadia de encenar a Dita Cuja? Cética, a diretora Regina Galdino sustenta que não. “Confio no acaso.” E também na lógica: “Por que custei para preencher o papel do rei Duncan? Simplesmente porque buscava profissionais mais velhos, acima dos 60 anos. Natural que três candidatos adoecessem. Quando optei por Ariel Moshe, um cara de 51, as dificuldades acabaram”. Ela lembra que, para brincar com a superstição, cogitou iniciar os ensaios numa sexta-feira 13. “Dia 13 de julho de 2007, sexta-feira, pode espiar o calendário.” Desistiu por imposições burocráticas. Treze, contudo, é o número de atores que integravam o elenco. “É?”
Ariel concorda com Regina: “Bobagem temer o texto. Raras vezes atravessei um período tão feliz quanto o que vivi durante aquela temporada”. Já os outros envolvidos nos incidentes preferem a cautela. Não afirmam que os imprevistos decorreram da maldição, mas tampouco negam. “Sei lá… Às vezes, pergunto se a energia pesada do espetáculo me tornou mais suscetível à doença”, divaga Alexandre Brazil. “De qualquer modo, não me arrependo de tê-lo produzido. É a minha peça predileta de Shakespeare, um enredo incrível, que extrai imensa beleza do horror.” Com três décadas de carreira, Imara Reis garante que jamais presenciou “tamanha zica” numa única montagem. “Fiquei meio desconfiada, sim.”
Marcos Suchara, intérprete do General, ficou desconfiadíssimo. Em 1992, debutou nos palcos fazendo um papel secundário justamente na Tragédia da Escócia. Antonio Fagundes a protagonizava. O Teatro Arthur Rubinstein, do clube paulistano A Hebraica, abrigou a trama e… pegou fogo! “O incêndio começou à tarde, nas coxias, pouco antes de o elenco chegar”, recorda o ator. Ninguém se feriu. Quando a montagem viajou para Santos (SP), houve nova surpresa: um refletor despencou do teto e quase acertou Fagundes, que estava solitário em cena. “Problemas lá, problemas aqui… Esquisito demais.”
Suchara relaciona os pesadelos recorrentes que o acometeram com um trecho específico da Escocesa. “Três mulheres me cortavam o dedão do pé, certo? No primeiro ato da narrativa, o trio de feiticeiras conversa exatamente sobre o dedo que uma delas arrancou de um marinheiro.” Silmara Deon cita trecho idêntico para justificar a insônia que a infernizou. “Naquela conversa, as bruxas planejavam tirar o sono de outro marujo por ‘nove vezes nove semanas’. Vai ver me deixei influenciar.” No quarto ato, promoviam um ritual em que declamavam: “Três vezes o gato mia sem demora/ três vezes o porco-espinho chora/ até que o demônio grita – ‘Já é hora!’”. Foi logo depois de ensaiar a magia exaustivamente que Silmara e Luciana Ramanzini atropelaram o bichano da Pompéia.
EPÍLOGO – O DIA EM QUE SÃO PAULO PAROUO anedotário teatral propaga que, se alguém disser a palavra ardilosa em terreno inadequado, deve correr para a rua, dar três voltas ao redor de si e cuspir ou berrar um palavrão. Agindo assim, anula os efeitos negativos do deslize. Na realidade, atitudes desse tipo são muito comuns entre atores, diretores e produtores, mesmo quando a Inominável não está em jogo. Poucos profissionais carregam tantas superstições. Assobiar nos camarins traz maus fluídos. Desejar “boa sorte” atrai precisamente o inverso: um azar dos diabos. O correto é desejar “merda”, à maneira dos artistas franceses, ou “quebre a perna”, conforme a tradição anglo-saxã. A maior atriz do país, Fernanda Montenegro, cultiva o hábito de segurar um prego torto enquanto aguarda para entrar em cena. Sua filha, Fernanda Torres, só pisa no palco com o pé direito.
O elenco e a equipe técnica da Dita Cuja não fugiram à regra. Em busca de “equilíbrio”, “concentração”, “alto-astral”, “luz”, “axé” ou “uma força contra a inveja”, apelavam para “as obsessõezinhas de praxe”. Embora se considere a mais incrédula do grupo, Regina Galdino fez todas as anotações sobre a peça em cadernos de capas amarelas. “Procuro me cercar da cor nas montagens difíceis. Amarelo, você sabe, simboliza o ouro, a fortuna…” Minutos antes de o espetáculo começar, Ariel Moshe batia três vezes o pé direito no chão e murmurava um nome próprio, que não revela nem sob tortura. “Uma prima me ensinou o truque.” Imara Reis, também nos bastidores, se agachava, repousava as mãos sobre o solo, fechava os olhos e pedia licença “aos deuses e aos colegas que morreram” para adentrar o tablado. Luciana Ramanzini enfeitava o camarim com um dragãozinho chinês de metal que ganhou da atriz e amiga Vivian Buckup. “Serve de amuleto.” Alexandre Brazil rezava um pai-nosso tão logo cruzasse a porta da Sala Crisantempo. Marcos Suchara deixava, em casa, uma vela acesa para seu anjo da guarda. Silmara Deon providenciava outra, para Santo Antônio de Pádua.
Havia, ainda, dois rituais coletivos que antecediam as apresentações. Nas coxias, atores e técnicos davam-se as mãos, formavam um círculo e se encaravam, silenciosos. Depois, sem desmanchar a roda, balançavam os braços para cima e para baixo, em meia-lua, e entoavam:
“Um por todos e todos por um! Brilhem! Merda!”. Aprenderam “o grito de guerra” com Paulo Autran.
“Nós, do teatro, somos no fundo uns inseguros”, avalia Marcos Daud. “E a insegurança deriva principalmente do narcisismo”, completa Ariel Moshe. “Pense bem: o narciso parte do princípio de que é perfeito. Em conseqüência, julga que não pode falhar. Quer melhor combustível para a insegurança?”
“Sim”, prossegue Marcos, “somos uns pobrezinhos, uns pueris. Desejamos nos exibir, mas trememos de medo sob o risco de esquecer o texto, de perder o talento, de o público nos abandonar. Não tem superstição que compense tanta fragilidade.”
Quinta-feira, 10/11, 18h20. Na redação de BRAVO!, me preparo para iniciar as apurações sobre a Escocesa. Preciso entrevistar uma porção de gente. Quem encabeça a lista é Regina Galdino. “Alô? Boa noite, Regina, estou fazendo uma repor tagem a respeito de…” Pronuncio o nome da peça. No mesmo segundo, o prédio da Editora Abril sofre uma rapidíssima pane de energia, que corta a ligação. Lá fora, a chuva aumenta. Vira um temporal. Os jornais da manhã seguinte contabilizam o estrago: 176 quilômetros de congestionamento na cidade, 107 semáforos em colapso, queda de árvores, granizo. Me desculpe, São Paulo…
Coincidência ou conspiração do além?Alguns episódios que alimentam as superstições em torno de Macbeth
• Em 1606, na primeira montagem da peça, o garoto que fazia Lady Macbeth teria morrido durante uma das apresentações. À época, na Inglaterra, as mulheres não podiam trabalhar como atrizes. Por isso, homens jovens ou mesmo crianças se encarregavam dos papéis femininos. É difícil comprovar se de fato o incidente ocorreu. As versões que o sustentam não definem a causa mortis, mas dizem que o garoto se chamava Hal Berridge.
• Em 1849, o célebre ator londrino William Charles Macready protagonizava a tragédia num teatro de Nova York, o Astor Place Opera House. Fãs de seu rival, o intérprete norte-americano Edwin Forrest, que também encenava o espetáculo na cidade, não gostaram de ver o inglês por perto e, com o apoio de grupos nacionalistas, provocaram um imenso quebra-quebra. Cerca de 20 mil pessoas atacaram o Astor Place, e a Guarda Nacional precisou agir. Resultado: 30 mortos e 120 feridos, segundo as estimativas mais alarmistas. Macready, que estava no palco, só conseguiu abandonar o teatro depois de se disfarçar.
• Em 1937, enquanto produzia a tragédia no Old Vic de Londres, o ator britânico Laurence Olivier enfrentou uma série de contratempos. O diretor da montagem, por exemplo, sofreu um acidente de carro e teve de ser substituído às pressas. Pouco antes da estréia, Lilian Baylis, administradora do Old Vic, morreu.
• Em 1947, na cidade inglesa de Oldhan, um dos atores (Antony Oakley) apunhalou sem querer o protagonista da peça, Harold Norman, numa seqüência de luta. A vítima acabou falecendo.
• Em 1992, o Teatro Arthur Rubinstein, do clube paulistano A Hebraica, pegou fogo durante temporada do espetáculo. Ulysses Cruz assinava a direção e Antonio Fagundes interpretava Macbeth. Ninguém se machucou. Quando a montagem viajou para Santos (SP), houve outro imprevisto: um refletor despencou do teto e quase atingiu Fagundes, que se encontrava sozinho em cena.